Bullying
Agressão repetitiva, intencional e sistemática exercida por um indivíduo ou grupo contra outro em uma relação de poder desigual.
Definição
O Bullying é um padrão de comportamento agressivo e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por um ou mais indivíduos contra um alvo que não tem condições de se defender. O termo, difundido pelo sueco Dan Olweus, descreve uma dinâmica de abuso de poder onde a agressão visa intimidar, isolar e humilhar.
No Brasil, as pesquisas de Cleo Fante e Ana Beatriz Barbosa destacam que o bullying não é um simples conflito entre jovens ou uma 'fase natural', mas uma forma de violência que gera danos profundos à identidade e à saúde mental. Ele se manifesta através de agressões físicas, verbais, psicológicas, morais e materiais, sendo muitas vezes o reflexo de preconceitos estruturais (racismo, homofobia, gordofobia) reproduzidos no ambiente escolar ou social.
Como funciona
Funciona através de um desequilíbrio de poder sistemático. O agressor utiliza a força física, a popularidade social ou a influência digital para subjugar a vítima. A dinâmica é sustentada pela tríade: agressor, vítima e observadores. Os observadores desempenham um papel crucial: seu silêncio ou riso valida o comportamento do agressor, enquanto a vítima é progressivamente isolada e desumanizada.
A agressão segue uma lógica de estigmatização, onde uma característica da vítima é escolhida como pretexto para a humilhação constante, transformando o espaço de convivência (escola ou trabalho) em um ambiente de medo e ansiedade crônica.
Exemplos
A criação de apelidos pejorativos baseados em características físicas que se tornam o único nome pelo qual a vítima é chamada pelo grupo.
A exclusão deliberada de um colega de todas as atividades sociais e grupos de comunicação, acompanhada de risos e sussurros quando ele se aproxima.
A disseminação de rumores falsos ou segredos íntimos (cyberbullying) para destruir a reputação social de um indivíduo.
Quem é afetado
Afeta predominantemente crianças e adolescentes em fase escolar, mas suas variantes (como o Mobbing) atingem adultos em ambientes profissionais. Minorias sociais e indivíduos que fogem aos padrões estéticos ou comportamentais hegemônicos são os alvos mais frequentes. Além da vítima direta, o bullying afeta emocionalmente os observadores (que aprendem a passividade perante a injustiça) e o próprio agressor, que muitas vezes naturaliza a violência como forma de obter poder.
Por que é invisível
É invisível porque é frequentemente confundido com 'brincadeiras de criança', 'frescura' ou 'zoação saudável'. A barreira do silêncio é a maior aliada do bullying: as vítimas têm vergonha ou medo de denunciar, e os adultos muitas vezes minimizam a gravidade das agressões. A naturalização da violência como método de socialização masculina ou de construção de 'resiliência' mascara o caráter abusivo e traumático da prática.
Efeitos
Os efeitos variam de queda no desempenho acadêmico e evasão escolar a transtornos graves como depressão, fobias, crises de pânico e baixa autoestima severa. Em casos extremos, o bullying é um fator determinante para comportamentos autodestrutivos, automutilação e ideação suicida. Para a sociedade, ele perpetua uma cultura de exclusão e autoritarismo, dificultando o desenvolvimento da empatia e da cidadania.
Autores brasileiros
- Cleo Fante
- Ana Beatriz Barbosa Silva
Autores estrangeiros
- Dan Olweus
