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Manspreading

Hábito masculino de sentar-se com as pernas excessivamente abertas em transportes ou espaços públicos, ocupando mais de um assento e invadindo o espaço físico das pessoas ao lado (geralmente mulheres).

transporte públicoetiqueta de gênerouso do espaçomicromachismo

Definição

Manspreading (do inglês 'man' + 'spreading', espalhamento masculino) descreve a postura corporal de homens que se sentam com as pernas abertas em um ângulo obtuso, ultrapassando os limites de seu próprio assento em ambientes coletivos como ônibus, metrôs e salas de espera. Embora frequentemente justificado por homens como uma 'necessidade biológica' ou busca por conforto, a sociologia e os estudos de gênero analisam esse comportamento como uma manifestação de poder e entitlement (intitulamento): a crença inconsciente de que o homem tem o direito natural de ocupar o máximo de espaço possível, enquanto mulheres são socializadas para 'encolher' seus corpos (cruzar pernas, fechar braços) para não incomodar.

Como funciona

Funciona através da linguagem corporal não-verbal de dominação. Ao expandir seu volume físico, o homem obriga as pessoas ao redor (especialmente mulheres) a se comprimirem, cedendo seu espaço legítimo para acomodar o conforto dele. É uma dinâmica de 'colonização do espaço público' onde o conforto masculino é priorizado em detrimento do bem-estar coletivo. Muitas vezes, se uma mulher solicita espaço ou reclama, é rotulada como 'chata' ou 'intolerante', invertendo-se a culpa.

Exemplos

  • No metrô lotado, um homem abre as pernas em 'V' forçando as duas mulheres sentadas ao seu lado a ficarem com os corpos virados ou espremidos contra a janela.

  • Em uma reunião de trabalho em uma mesa apertada, o homem ocupa os braços da cadeira e coloca cotovelos sobre a mesa, invadindo a área de anotação da colega ao lado.

  • A reação agressiva ou de deboche quando uma mulher pede 'por favor, pode fechar um pouco as pernas?'.

Quem é afetado

Primariamente mulheres e pessoas socializadas como mulheres, que historicamente são ensinadas a serem contidas, discretas e a ocuparem pouco espaço. Afeta também outros passageiros em transportes lotados, mas a dinâmica de gênero é central: raramente se vê um homem se encolhendo para uma mulher 'se espalhar'.

Por que é invisível

É invisível porque é naturalizado como 'jeito de sentar de homem' ou banalizado como uma questão menor de etiqueta. A invisibilidade é reforçada pela assimetria de socialização: desde a infância, meninos são encorajados a serem expansivos (correr, gritar, ocupar), enquanto meninas são vigiadas para 'fechar as pernas' e serem 'delicadas'. Quando adultos, essa norma se traduz em direito ao espaço vs. dever de contenção.

Efeitos

Gera desconforto físico e psicológico para quem está ao lado (a sensação de ser 'esmagada' ou invadida). Simbolicamente, reforça a hierarquia de gênero onde o homem é o sujeito que domina o ambiente e a mulher é o objeto que deve se adaptar às necessidades dele. Em escala macro, contribui para a sensação de que o espaço público é hostil ou pertence aos homens.

Autores brasileiros

  • Valeska Zanello
  • Lélia Gonzalez

Autores estrangeiros

  • Raewyn Connell
  • Doreen Massey

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